Honrando Cale das Águas
Na quarta edição da nossa Conferência, rendemos tributo às Águas — as que dançam em abundância pelo nosso território, as que serpenteiam pelo mundo, as que fluem nos nossos corpos e transbordam nas nossas emoções. Celebramos as Águas que guardam a Memória e são o Berço primordial da Vida.
Na tradição do Jardim das Hespérides, honramos as Águas em particular no Sul, em Litha, no Solstício de Verão, quando a luz solar cintila sobre os espelhos de água e se desdobra em reflexos de ouro líquido.
Neste encontro sagrado, invocamos Nábia, Deusa das águas correntes, cujo nome ressoa nos rios Nabão, Neiva e Nava, e cuja presença ainda ecoa na Fonte do Ídolo, em Braga. Elevamos cânticos a Tétis, guardiã dos oceanos profundos, e a Cynthia, a Lua resplandecente, cuja essência se entrelaça à do Monte da Lua, em Sintra. Louvamos Maria, Senhora do Mar e Mãe da Compaixão, e evocamos Marinha, a Hespéride do mar, em cujo nome murmuram antigas marés.
Louvaremos também as criaturas encantadas das águas – Sereias e Tritões, Cavalos-marinhos, Lontras, Focas, Baleias e Golfinhos. Reverenciaremos Ondinas e Ninfas, como as Tágides, e os Dragões das Águas primordiais, guardiões dos mistérios oceânicos.
Pois a Água é ventre e voz do divino, sacrário de antigas devoções. Na nossa tradição ibérica, as divindades aquáticas são fontes inesgotáveis de encantamento, e nos rios Dão e Guadiana, ouvimos ainda ressoar o nome da Grande Mãe primordial, Ana ou Dana, que canta nas correntezas e embala os sonhos do tempo.
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